Aqui: Nem tudo o que passa pela mente de alguém que, como Flicts, tenta encontrar o seu lugar no espaço...

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Anna Laura

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Eu faço minhas coisas

Você faz as suas

Eu não estou nesse mundo

para viver de acordo

com as suas expectativas

Você não está nesse mundo

para viver de acordo

com as minhas

Eu sou eu

Você é você

Se acaso nos encontramos,

é lindo

Senão, nada há a fazer

Fritz Perlz


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       Quarta-feira, Junho 29, 2005

Quis o destino que minha força residisse no silêncio.

       >> posted by Anna Laura at 09:04 |

É difícil entender certas coisas. Eu, mais do que ninguém, a "menina dos porquês", não suporto ficar sem resposta.
Não que a compreensão absoluta de tudo seja imprescindível. Não. O desejo de saber os motivos e conhecer a história é simplesmente uma ânsia incontrolável - um vício que me permito viver, entre tantos possíveis, que por algum motivo não me atraem.
Essa vontade de saber me entristece, me cega, me cansa. Mesmo consciente de que nem seria bom saber, mesmo percebendo que a coisa toda não há de ir por um bom caminho, preciso saber. Sei que não haverá o que fazer, sei que faltarão meios. Sei até que os motivos reais talvez sejam nada mais que tolos. Não importa. Saber me basta. Não saber me exaspera.
Então tu me dizes que não é tão importante assim. Eu não quero te ouvir. Já tu não me dizes nada. E eu já não quero te ouvir também.
Enquanto isso, o pior de tudo vem do saber de que, mesmo que tudo mudasse, ainda assim, nada me garantiria tua escuta. Nada.
Quando a hora chegar, não vais me ouvir. Sabes de antemão que vai doer. Não queres sofrer. A covardia te toma, te tem inteira. Não posso exigir que encares, no entanto farei questão de que saibas que eu conheço teu jeito, que sei o que se passou e se passa, que nenhuma das tuas razões me comove.
Já não desejo este momento.
Mas quando ele vier, me lembrarei de cada detalhe.

       >> posted by Anna Laura at 08:55 |

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       Domingo, Maio 29, 2005

Por vezes desejaria ser o tipo ácido, que não mede palavras, mas as atira, conforme elas surgem na mente, aos borbotões. Os tipos ácidos têm lá suas virtudes. Quem está à volta deles confia que jamais serão desonestos e pedem a eles opiniões, a fim de garantir que essas sejam transparentes e realistas. Acredita-se que os ácidos não mentem, pois não precisam. Eles são amados por serem como são, e ninguém os critica por seus comentários mordazes e suas críticas: eles são assim. E por sempre terem sido dessa forma, conquistaram a permissão de prescindir de qualquer cuidado. Vida tranqüila essa, a deles. No entanto, há poucas exceções, que não permitem a acidez desenfreada e barram-na ao menor excesso. Raridade.

       >> posted by Anna Laura at 23:07 |

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       Domingo, Maio 08, 2005

luv you all...


Eles são os que me salvam quando eu até nem estou em perigo, mas preciso daquela golfada de ar para voltar a ver que o mundo não está perdido. Eles são os que me levam pra onde eu quiser ir e não perguntam a razão do destino. Aqueles que, curiosos, perguntam o motivo do meu riso. E riem comigo. Os que fazem com que tudo, de repente, faça sentido de novo, e que, partilhando ou não de minhas epifanias, sabem que ouvir é um dom. São aqueles que abraçam como ninguém, pelo tempo e intensidade exatos, e de olhos fechados. Eles são os que perguntam, sinceramente, quais são as novas e querem saber, em detalhes, o que acontece nas tempestades e o que povoa a mente nos olhares perdidos. E que ligam pra chorar, falar de aflições ou de boas notícias, e contar histórias. Aqueles de quem cada palavra é valiosa demais, e cuja presença é, por si só, um prazer. Aqueles, estes, aqui.

       >> posted by Anna Laura at 23:26 |

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       Domingo, Maio 01, 2005

História velha, velha história

Ela sempre dizia que morreria sozinha. Jamais pude crer que falasse sério, ela, tão carismática e sempre rodeada de admiradores. Caso ela não fosse tão hostil com quem a tratava bem, talvez eu apostasse num futuro realmente brilhante. Ela tinha tudo para ser bem mais do que qualquer senhora solitária tricotando num chalé cheirando a Jimo. Mesmo que esse chalé fosse à beira da praia. Ela sabia que estava à frente, apenas custava a assumir. Os outros, todos, desatentos, julgavam-na altiva - ciente, exageradamente ciente de seus méritos. Tolos. Ela não se atribuía valor algum. Chorava apenas sozinha. Não podia assumir fraqueza às vistas de ninguém. Exceto às minhas. Ela se continha, mas acabava cedendo àquela estranha confiança que ela tinha em mim. Sofria, ela. Era muito mais mulher do que qualquer outra de nós. Contou-me alguns dos seus segredos e eu, naquele momento, estava tão alheia a qualquer coisa que não fosse óbvia, que não pude perceber a singularidade daquela atitude. Sozinha. Muito sozinha. Hoje vejo que toda aquela agressão não passava de uma fragilidade insustentável. Nem havia como ser diferente. Ela não podia crer na minha tranqüilidade frente aos seus insultos. Eu não podia crer na sua instabilidade e dor. Quando cansei, quase me arrependi. Nunca fui de tomar cuidado comigo mesma, sempre confiei demais na segurança do acaso. Até que chegou a hora em que foi demais. Pena não poder ouvir mais aqueles discursos absurdos, nem ver os desenhos ou as encenações irônicas. Lamento, de fato. Espero que esteja bem. Ela, que sempre dizia que morreria sozinha.

       >> posted by Anna Laura at 17:45 |

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       Domingo, Abril 24, 2005

Um pouco de malvadez...



       >> posted by Anna Laura at 17:18 |

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       Domingo, Abril 17, 2005

Na noite terrível, substância natural de todas as noites,
Na noite de insônia, substância natural de todas as minhas noites,
Relembro, velando em modorra incômoda,
Relembro o que fiz e o que podia ter feito na vida.
Relembro, e uma angústia
Espalha-se por mim todo como um frio do corpo ou um medo.
O irreparável do meu passado - esse é que é o cadáver!
Todos os outros cadáveres pode ser que sejam ilusão.
Todos os mortos pode ser que sejam vivos noutra parte.
Todos os meus próprios momentos passados pode ser que existam algures,
Na ilusão do espaço e do tempo,
Na falsidade do decorrer.
Mas o que eu não fui, o que eu não fiz, o que nem sequer sonhei;
O que só agora vejo que deveria ter feito,
O que só agora claramente vejo que deveria ter sido -
Isso é que é morto para além de todos os Deuses,
Isso - e foi afinal o melhor de mim - é que nem os Deuses fazem viver...

Se em certa altura
Tivesse voltado para a esquerda em vez de para a direita;
Se em certo momento
Tivesse dito sim em vez de não, ou não em vez de sim;
Se em certa conversa
Tivesse tido as frases que só agora, no meio-sono, elaboro -
Se tudo isso tivesse sido assim,
Seria outro hoje, e talvez o universo inteiro
Seria insensivelmente levado a ser outro também.

Mas não virei para o lado irreparavelmente perdido,
Não virei nem pensei em virar, e só agora o percebo;
Mas não disse não ou não disse sim, e só agora vejo o que não disse;
Mas as frases que faltou dizer nesse momento surgem-me todas,
Claras, inevitáveis, naturais,
A conversa fechada concludentemente,
A matéria toda resolvida...
Mas só agora o que nunca foi, nem será para trás, me dói.

O que falhei deveras não tem esperança nenhuma
Em sistema metafísico nenhum.
Pode ser que para outro mundo eu possa levar o que sonhei,
Mas poderei eu levar para outro mundo o que me esqueci de sonhar?
Esses sim, os sonhos por haver, é que são o cadáver.
Enterro-os no meu coração para sempre, para todo o tempo, para todos os universos,

Nesta noite em que não durmo, e o sossego me cerca
Como uma verdade de que não partilho,
E lá fora o luar, como a esperança que não tenho, é invisível p'ra mim.

Álvaro de Campos


E pra quem não lê poemas e letras de música em blogs, digo apenas que este é lindo. A julgar pelas raras vezes em que publico longos textos alheios aqui, pode-se presumir que este seja especial. Acho que todo mundo já se sentiu assim - e talvez seja esse o segredo dos grandes poemas.

Pude ver uma grande atriz declamando-o com toda a intensidade que ele permite. Eu, que o desconhecia até então, fiquei quase sem fôlego, enquanto as palavras pareciam ter um encaixe perfeito, uma depois da outra. Quase tanto, que eu já podia prever o que viria depois. A entonação, a cadência, a voz... Piano de cauda ao fundo! Tudo. Emocionante pacas! Quando, ao final, ela disse se tratar de Fernando Pessoa, sorri. Só podia ser...

Paro por aqui, pois esse tipo de descrição jamais chega aos pés do fato concreto, e eu não quero perder o meu e, principalmente, o vosso precioso tempo. Precisariam estar lá.

       >> posted by Anna Laura at 15:58 |

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       Sábado, Abril 09, 2005

Ok. Então deixa eu te contar algumas coisas sobre mim...
Não estimo ou respeito as regras hipócritas. Não sou atriz. Não tenho os sorrisos bem colocados e ensaiados. Sorrio sim, e sorrio muito - mas apenas quando é real. Tenho a minha lógica, e sonho com o dia em que ela será compreendida. Enquanto não há quem possa ser considerado ciente e entendido dela, contento-me com o respeito silencioso. Não quero grandes demonstrações, e não as pratico. O que tiver de ser percebido, o será - e não precisa ser tão evidente. Quem quiser saber, que seja atento. Ninguém vai te mostrar o caminho, muito menos eu. Não tenta me mostrar também. Quando eu quero saber, eu pergunto. Não escolho momento e não meço palavras, a menos que seja por uma causa muito, muito nobre. Autopreservação me é cara, uma lição recente. Espontaneidade em doses altas demais para os organismos fracos. Mente efervescente. Sei que quero muito, não defino bem o quê. Não sinto pena. Sinto fome e sinto cansaço. Sinto-me bem. Não jogo palavras a esmo, nem por isso tudo sempre tem finalidade. Não. Sinto prazer no convívio, e não me contento com superficialidade. Não te ofendas com isso. Não tenho intenção de ferir ninguém, respeito as dores alheias e não preciso que ninguém saiba das minhas. Não canto hinos, não levanto bandeiras. Respeito mais por intuição que por critérios. Não minto. Presenteio quando e como gosto, sem tamanho ou data, e com carinho. Não tenho medo de andar sozinha. Não me canso de pensar. Falar, por vezes, me cansa. Não ando à procura, mas tenho a convicção irracional do sucesso. Canto. Não conto com ninguém, mas os quero por perto. Preciso de paz, mas não agüento o marasmo. Tenho o desejo de saber quem são os outros. Essa curiosidade me atordoa. Não choro quando não quero. Grito. Não gosto dos extremos. Não acredito em fugas. Detesto paliativos. Sou uma eterna insatisfeita, como todos os tais humanos, nem por isso queixosa. Intensidade, sempre. Cuidado também. Nada especial, apenas único, como tudo mais.

       >> posted by Anna Laura at 21:05 |

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       Sexta-feira, Abril 08, 2005

Voltei, sim, ó.

Sabe...


Vi essa gente toda vivendo coisas sem nem perceber, e deixando passar, negligentes, tanta coisa. Tanta coisa... É por isso que eu tomo tanto cuidado: não quero que aconteça o mesmo comigo. Quero perceber, se vier algo importante. Quero não perder nenhum segundo. Eu, pretensiosa, quero prestar atenção naquilo que todos deixarão passar. Talvez um ou dois vejam também. Com sorte, três. Só não quero ser mais uma a não ver. E continuar vivendo como se nada houvesse, sem sequer desejar as mudanças, por não julgá-las necessárias.




Ah!
Dia 19.
Sim, dia 19 de abril é o aniversário deste querido blog!
Dois anos... Quem diria, hm?
Aceitam-se presentes.
Não se acanhem, por favor.
Ha-ha.

       >> posted by Anna Laura at 21:09 |

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       Domingo, Março 27, 2005

"...pode se preparar, porque eu tô voltando..."



Este blog andava mesmo cheio de ausências. As usual... Não pude preenchê-las porque estive ocupada, longe daqui. No entanto, milhares de idéias povoaram meus cadernos e desgastaram meu teclado. Aos poucos, eu mostro tudinho pra quem vier me ver...
Aos poucos.

Aliás... A volta às aulas me trouxe alguns pensamentos que há muito não se faziam notar. Certas convicções, para serem caracterizadas como tais, sofrem breves momentos de incerteza, para então serem reafirmadas com a força da permanência.
Por exemplo?
Ah, deixa pra próxima...



***


Consegui fazer os comentários aqui voltarem ao normal - sim, eles haviam sumido misteriosamente!
Imagina só, que triste que seria o Flicts sem manifestações externas?



***


Em breve este singelo e estimado blog completará 2 anos de inconstante (porém inegável!) existência.
Preciso fazer um balanço...



***


O horário de sono continua instável, mas eu nem me importo.
Pra quê perder tanto tempo dormindo?
Life is short, baby...



***


Páscoa?

Ah, é:

Feliz Páscoa!

       >> posted by Anna Laura at 22:35 |

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       Segunda-feira, Fevereiro 28, 2005

       >> posted by Anna Laura at 00:04 |

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       Domingo, Fevereiro 20, 2005

Sobre Aliócha:

"Na sua infância e na sua mocidade, era antes concentrado e até mesmo taciturno, não por timidez ou selvageria, pelo contrário, mas por uma espécie de preocupação interior tão profunda que o fazia esquecer-se dos que o cercavam. Mas gostava de seus semelhantes, toda a sua vida teve fé neles, sem passar jamais por simplório ou ingênuo. Algo nele revelava que não queria ser o juiz alheio, nem censurar as pessoas ou condená-las por preço algum. Parecia mesmo tudo admitir, sem reprovação, embora muitas vezes com profunda melancolia."

(Os irmãos Karamázovi - Dostoiévski)

       >> posted by Anna Laura at 11:33 |

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       Sábado, Fevereiro 19, 2005

Vejo a juventude como a fase mais bonita da vida. A vastidão de possibilidades, todas abertas, disponíveis, é fascinante. E é impossível não concordar com a idéia óbvia de que é a fase de maior vivacidade e energia. Tudo é possível, nada cansa. Não que as outras fases da vida me pareçam ruins - apenas penso que essa é a mais livre. As outras devem ter lá seus prazeres, já que a tranqüilidade e a estabilidade conquistadas devem ser muito agradáveis. Sempre há vantagens e desvantagens. E é obvio que eu pense assim, já que ainda não sou adulta e, portanto, não tenho como comparar - e certamente prefiro a fase atual à infância...

Não penso que os adultos são como autômatos que se deixaram programar para viver de acordo com o sistema, sem jamais questioná-lo, porque cansaram de combatê-lo e querem se preocupar apenas com pão e circo. Não penso que seja tão drástico assim. Apenas perturba-me essa resignação pelas razões erradas. Compreendo que os adultos têm problemas, têm crises e, naturalmente, choram. Vejo, sim, as necessidades dessa "gente grande" que precisa cuidar de questões mais urgentes e, às vezes, cuidar não só de si, mas também de quem amam. Só não consigo deixar de sentir um desconforto ao perceber a perda de ânimo para as grandes causas - aquelas que inflam o peito dos idealistas - e o individualismo - não aquele dos que são egoístas e só sabem pensar em si, mas daqueles que precisam de um dispêndio de energia tão grande para sobreviver, que já não querem mais abraçar causas que não lhes afetem diretamente.

O que me questiono é sobre a falta que devem fazer os ímpetos da juventude depois que ela passa... Esse negócio de crescer me parece cheio de poréns. Todo mundo muda e precisa mudar, não há dúvidas. Mas... Até que ponto? Assumir responsabilidades e deixar de ser inconseqüente é essencial. Só não acho que esse tipo de mudança esteja obrigatoriamente ligado à perda total dos sonhos da juventude e ao conformismo. Sonhos podem se transformar, é claro, mas não gostaria que eles se tornassem pequenos, mesquinhos e materialistas.

E, de fato, não sei se se resignar é necessariamente uma coisa ruim. Acho que a resignação frente ao que não se pode mudar é até sabedoria. O complicado é saber se algo é mesmo imutável.
...Mas isso já esta parecendo reunião de AA: "Deus me dê a serenidade para aceitar as coisas que não posso mudar, a coragem para mudar as que posso, e a sabedoria para saber a diferença." (Citação de Reinhart Niebuhr, só pra constar...)

*** Este post tem a finalidade de esclarecer pormenores do post anterior. Adorei a polêmica... Mais agora? ***

       >> posted by Anna Laura at 10:20 |

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       Quinta-feira, Fevereiro 03, 2005

Quando é que a adolescência acaba?

Que essas fases passam, eu já sei. Muitas vezes já me disseram. Só não sei bem se eu quero mesmo que passe... Vejo essa gente crescida, calejada. Os tais dos adultos. Eles dizem que a gente se acostuma. Eles dizem que a gente acaba se adaptando. Eles dizem que a gente cresce e aprende a lidar. Alguns até me dizem que passaram pelas mesmas crises pelas quais eu passo. Mas o que me deixa aflita, é que nenhum deles me diz que resolveu seus conflitos. Ninguém é lá muito explícito, apenas suspiram e olham pro lado, mas o que transparece - e isso é interpretação minha - é que as crises não foram solucionadas, nada foi resolvido, nenhuma conclusão foi alcançada. Acho que os sonhos da juventude soam como uma divertida imaturidade pra eles. É tudo bonito, necessário, mas "vai passar, sempre passa". "A vida ensina, a vida exige: todos eles vão mudar". O que me parece, é que o que eles chamam de "crescer" é aprender a resignar-se sem sofrer muito. Eles não resolveram, mas deixaram passar e esqueceram o que os incomodava. Eles não conseguiram entender, mas acharam melhor arranjar um emprego e bola pra frente. Eles não têm mais crises, eles não choram. Eles não querem mais saber, porque essas coisas cansam muito, e eles têm que acordar cedo amanhã.

       >> posted by Anna Laura at 15:02 |

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       Segunda-feira, Janeiro 31, 2005

É mesmo hora da humanização do homem.

Certamente eu deveria dar o crédito dessa frase a alguém - e o faria, caso soubesse quem a proferiu primeiro. Hoje em dia é difícil determinar com clareza quem disse o quê e quem disse antes. Parece que tudo já foi escrito e não há mais como ser original. Ainda assim, acho que os devidos autores merecem receber o devido crédito, mesmo que seja em algum cantinho inóspito da internet, que nem mereceria tanta atenção para o exercício de direitos autorais (ou para qualquer outra coisa).

Dou-me o direito teimoso de deixar-me levar por devaneios quaisquer, mesmo sabendo que muitos já os fizeram antes e talvez - ou provavelmente - com muito mais qualidade e consistência do que os meus. Mesmo que tudo já tenha sido mesmo escrito (e aí, é óbvio que não é exatamente esse o caso, mas falando assim compreende-se que há muita coisa escrita e publicada por aí, e é difícil dizer algo que já não exija a autorização ou pelo menos o nomezinho de alguém, em itálico, ao final) acredito que seja de grande serventia prosseguir pensando, despreocupadamente, sem antes ler tudo o que já foi escrito a respeito. Senão, seria permanecer eternamente reproduzindo pensamentos prontos, alheios, sem permitir que a criatividade atue. E aí a própria existência humana daqui pra frente perderia o sentido.

Mas... A humanização do homem...

Existem certas coisas que estão sempre presentes em nossas vidas, fazendo parte da personalidade que temos, mostrada através de nossas ações e reações impensadas, mas que nem sempre são percebidas em sua real importância. São esses detalhes que definem uma pessoa. São esses, impossíveis de encenar ou fingir, que medem o nível de humanidade de alguém. Não há como enganar: ou é, ou não é. Não há discursos que não caiam por terra depois de uma atitude pequena, um ato falho qualquer, que condene a prática do mais talentoso dos oradores.

Citando então, minha ex-reitora, que por sua vez citava o poeta espanhol Antonio Machado, achando que citava Galeano:

El camino se hace al caminar!

E não há como não aprender, seja o caminho qual for. Com palavras, com pessoas, com atitudes, com livros, sem livros... Não importa. Não preciso me basear no caminho de ninguém. É por isso que estou aqui e outros aqui também estiveram. Minha liberdade é minha e sempre será.

       >> posted by Anna Laura at 11:33 |

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